Tendinite calcária dos ombros: uma condição comum entre as mulheres

A tendinite calcária dos ombros é muito comum entre as mulheres e pode ser diagnosticada com exame de Raio X. Em outros casos, a ortopedista também pode recomendar a realização de uma ressonância magnética para o médico confirmar ou descartar suspeita de lesão no tendão.

Apenas com o diagnóstico confirmado seguramente para tendinite calcária é que pode ser iniciado o tratamento para o problema.

Entenda como a tendinite calcária ocorre

A tendinite calcária é uma condição resultante do acúmulo de sais de cálcio nos tendões do manguito rotador. O resultado é muita dor no ombro, sendo mais comum a ocorrência no lado direito.

O cálcio vai se acumulando lentamente nos tendões do ombro, levando meses para a tendinite calcária evoluir, e nessa fase muitas pessoas não percebem, até vão surgindo dores e desconforto e, subitamente, evoluir para uma dor muito intensa. É quando ocorre a chamada fase de reabsorção, em que o depósito de cálcio será parcial ou totalmente reabsorvido.

Já na fase aguda pode ocorrer uma dor intensa que irradia para o deltoide e, ao tocar o ombro, é possível identificar o ponto certo da dor. Outros sintomas são limitações no movimento do ombro. Na fase crônica os sintomas são os mesmos da síndrome de impacto, ou seja, dor e dificuldade para executar os movimentos da articulação.

Em muitos casos, a tendinite calcária ocorre depois de o paciente apresentar uma tendinite simples no ombro, ou seja, a inflamação afeta os tendões, mas sem o acúmulo de cálcio. Sabe-se ainda que há uma predisposição para o desenvolvimento de depósitos de cálcio, mas para ocorrer tal formação, deve haver uma alteração vascular local, o que faz com que haja uma alteração química no interior do tendão e isso leva a deposição de cálcio.

Tratamento

Entre os tratamentos indicados estão a prescrição de analgésicos, repouso, crioterapia e fisioterapia. Em outros casos também pode haver a necessidade de tratamento cirúrgico, que é realizado com o objetivo de retirar o depósito de cálcio do tendão, procedimento que pode ser feito por meio de artroscopia do ombro.

Epicondilite – Luxação Lateral do Cotovelo

A luxação do cotovelo pode ocorrer em vários movimentos dentro das lutas de contato. Os mais comuns são as chaves, principalmente o “arm-lock”. Nessa chave ocorre a hiperextensão do cotovelo com lesão dos músculos pronador redondo e braquial, ainda ocorre a lesão do ligamento colateral medial e da cápsula ligamentar anterior. Nessa lesão o paciente não consegue movimentar o cotovelo e apresenta grande dor, inchaço e deformidade que podem dar a aparência de fratura. O atleta deve ter seu cotovelo imobilizado e procurar auxílio médico de modo urgente. No hospital o atleta deverá ser submetido a radiografias que evidenciarão a luxação. O médico então deverá realizar uma manobra para que cotovelo recomponha suas formas originais.
Cotovelo não deve ser tratado por profissionais não médicos devido à possibilidade de lesão vascular, neurológica e fraturas, inclusive durante a manobra de redução. Após a redução, se não houver outras lesões, o atleta deverá ficar imobilizado com tala gessada por cerca de 3 semanas
após esse período em geral há uma cicatrização que impede a reluxação, mas a recuperação depende de características próprias de cada organismo. Muitas pessoas podem ficar com uma instabilidade em valgo residual que a longo prazo pode causar dor e formigamento no 40 e 50 dedos da mão devido ao estresse do nervo ulnar como coseqüência da lesão do ligamento colateral medial do cotovelo. Em geral as manifestações tardias são leves e não requerem intervenção cirúrgica. Mesmo com a grande extensão de lesão o atleta consegue em cerca de um mês retornar às suas atividades. Raras vezes é necessário cirurgia para a redução da luxação. Os atletas podem ter luxação do cotovelo com as chaves americana, americana invertida e em quedas e o tratamento segue os mesmos princípios acima, apenas as áreas lesadas são diferentes. A americana pode lesar o ligamento colateral medial e o tríceps, a americana invertida lesa o ligamento colateral lateral e pode fraturar o processo coronóide do cotovelo e finalmente na queda ocorre luxação pelo mecanismo póstero-lateral-rotatório pela movimentação em valgo, supinação e compressão axial com o cotovelo semi-extendido lesando a banda ulnar do ligamento colateral lateral
ligamento colateral ulnar lateral ), cápsula e finalmente ligamento colateral medial como descreve O’Driscoll e cols. Todas essas lesões dificilmente deixarão seqüelas desde que tratadas com urgência e acompanhadas por um profissional da área habilitado, falaremos de cada tipo específico de instabilidade em outros artigos.

EPICONDILITE LATERAL DO COTOVELO

Para que possamos compreender melhor este problema, tão comum no cotovelo, e tão freqüente na população, é preciso que se entendam alguns conceitos, bem simples.
O sufixo “ite”, na medicina, significa inflamação. Assim, a inflamação das amígdalas, por exemplo,é chamada da amigdalite. Da mesma forma, epicondilite diz respeito à inflamação do um osso no cotovelo chamado epicôndilo. O cotovelo tem dois epicôndilos, que são proeminências ósseas de onde nascem os músculos que vão dar movimento ao antebraço e à mão – um lateral, ou do lado de fora da articulação,e outro medial, ou do lado de dentro.

E ISSO É MUITO COMUM ?

Sim, é um dos problemas mais freqüentes do cotovelo. Acomete principalmente adultos de meia-idade e, apesar de ser muito comum em trabalhadores braçais submetidos a esforços repetitivos do membro superior e em atletas que praticam principalmente esportes de raquete, pode aparecer mesmo em indivíduos sedentários.

E PORQUE ELA APARECE ?

A epicondilite é um assunto muito estudado entre os especialistas da área, visto sua freqüência. Apesar de ser classicamente, na literatura ortopédica, descrita como um processo inflamatório que acomete os músculos que se inserem no epicôndilo lateral, estudos mais recentes tem demonstrado que há, na verdade, um fenômeno de degeneração das fibras musculares, acompanhado de muita dor. Todavia, a relação da epicondilite com a meia idade e com a atividade intensa com os braços é bem conhecida.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO PACIENTE ?

A queixa principal do paciente é sempre a dor, no lado lateral do cotovelo, que pode ou não ser irradiada para a região proximal e dorsal do antebraço. Tem caráter insidioso, ou seja, vai piorando lenta e progressivamente, mas em alguns casos pode aparecer já desde o início com dores intensas. Nos atletas de raquete, a dor no início aparece durante determinados movimentos do jogo ou do treino, principalmente nos golpes de esquerda ( backhand), e é muito difícil que nesta fase ele procure acompanhamento médico especializado. O próprio atleta utiliza-se de métodos de analgesia, como o uso de gelo no local da dor após as partidas. Com o avanço do problema, o processo se torna crônico e o atleta se vê obrigado a procurar ajuda médica, e isso ocorre geralmente 3 meses após o 1º episódio. O pacinete pode se queixar ao segurar algum objeto com o membro superior extendido, geralmente.O médico geralmente encontrará, ao exame físico, dor à palpação do epicôndilo lateral no cotovelo, e extensão ativa dolorosa do punho.

COMO DEVE SER O TRATAMENTO ?

O tratamento da epicondilite lateral geralmente é conservador, sendo cirúrgico apenas se não houver remissão (total ou parcial progressiva) com o tratamento medicamentoso e fisioterápico em um período de pelo menos 3 meses, mas que pode se estender por mais tempo. O tratamento conservador pode ser dividido em dois tipos: médico e fisioterapêutico. O tratamento médico sempre deve ser considerado em todas as fases do tratamento. Para se aliviar a dor do paciente, é indicado inicialmente o uso de antiinflamatórios não hormonais. Se o paciente é atleta, devemos sempre questioná-lo com relação ao equipamento utilizado para a prática do esporte. Devemos sempre questionar qual o tipo de raquete que ele usa, a tensão que é colocada nas cordas (no caso do tênis), e principalmente, movimentos na rotina diária de treinos. Outras formas de tratamento foram descritos, como o uso da acupuntura, a manipulação da região cervical e do membro superior e infiltração de corticóides. O uso dos chamados braces ( tiras de velcro, que envolvem o antebraço. logo abaixo do cotovelo ) pode ser útil em uma fase inicial de tratamento, principalmente nos atletas que jogam e treinam com muita frequência, embora alguns estudos relatem a ineficiência do
brace para tratamento por longo período e por não auxiliar na melhora da força. Além do tratamento médico, o tratamento fisioterapêutico deve ser intituído já na fase inicial do atendimento.

E EXISTE CIRURUGIA PARA A EPICONDILITE ?

Sim. A indicação da cirurgia começa a ser considerada se o paciente não tem melhora com pelo menos 3 meses de tratamento. Todavia, este tempo pode ser muito maior, e na prática indicamos a cirurgia somente após termos investido ( médico e paciente ) exaustivamente na recuperação, e não tendo sido obtida melhora significativa. Classicamente, e até muito pouco tempo atrás, a cirurgia era feita da forma convencional, com uma incisão (corte) de +/- 4 cm, quando era feita a limpeza de todo o tecido degenerado em cima do epicôndilo. Todavia, atualmente a cirurgia pode ser feita por vídeo ( artroscopia) – através de duas incisões mínimas ( 4 mm ), coloca-se uma câmera de vídeo dentro da articulação e limpa-se o tecido degenerado, de dentro para fora. Com esta cirurgia, além da melhora importante em relação à estética, a recuperação é menos dolorosa e mais tranqüila.

EXISTE ALGUM MODO DE PREVENIRMOS O PROBLEMA ?

A melhor forma de se prevenir a epicondilite lateral, principalmente em atletas amadores, é a mudança da técnica dos fundamentos do esporte – principalmente o golpe de esquerda (backhand), que envolve a contração excêntrica dos extensores do punho, pois é nesses atletas que o problema tem maior incidência. Um outro fator importante na prevenção da epicondilite lateral está no uso da raquete ideal, devendo esta ser mais maleável e com uma cabeça maior. A tensão da corda usada na raquete (no caso do tênis) não deve ser maior do que 60 libras, pois quanto maior a tensão usada na raquete, maior será a vibração transferida para o cotovelo, provocando microfissuras no tendão do extensor radial curto do carpo ( músculo mais envolvido ), causando a epicondilite lateral. Outro detalhe importante para todos os esportes de raquete está na empunhadura (grip), pois existem tamanhos diferentes, e o atleta deve escolher o tamanho mais confortável para seu uso. O brace (imobilizador) pode ser utilizado como um acessório preventivo da epicondilite lateral, mas devemos lembrar que, se o atleta não tiver uma técnica correta dos fundamentos, o imobilizador pode mascarar os sinais e sintomas agravando a lesão.