Proteger a cartilagem do tornozelo ajuda a prevenir artrose em atletas

Tratamento com aplicação de visco-suplementação reduz a ativação de células inflamatórias, melhora a dor e estabiliza a destruição da matriz cartilaginosa; ortopedista explica.

O objetivo desse artigo é mostrar o resultado de um trabalho recente que avalia a eficácia da viscossuplementação em pacientes com osteoartrite do tornozelo. Foi realizada uma revisão sistemática para verificar as evidências na literatura sobre o uso deste tratamento, sendo considerados estudos prospectivos randomizados cegos num total de 1.961 artigos identificados em várias bases de dados, onde concluiu-se que o tratamento com ácido hialurônico intra-articular é uma modalidade de tratamento segura que melhora significativamente os escores funcionais.

A doença da cartilagem pode ser traumática e aguda, ou crônica e degenerativa, conhecida aqui no Brasil como artrose, pode ser encontrada em artigos internacionais como osteoartrite e é uma doença de origem multifatorial que leva à degeneração da cartilagem articular, afetando todos os componentes da articulação. É um processo lento, progressivo e debilitante, com alta prevalência na população adulta ativa, ligada a práticas esportivas.

A osteoartrite (OA) é mais prevalente entre pessoas com mais de 65 anos, mas em pessoas que começam a prática esportiva muito cedo pode adiantar o processo de degeneração. A doença pode ter impacto em diferentes aspectos da vida incluindo atividades sociais, relacionamentos, autoimagem corporal e bem-estar emocional.

Vários fatores podem influenciar o início e a progressão da OA, como idade, alterações no metabolismo, fatores genéticos e hormonais, alterações biomecânicas, modalidade esportiva e processos inflamatórios articulares. A osteoartrite primária do tornozelo é rara, mais comumente secundária à fratura ou instabilidade crônica do ligamento. Nos últimos anos tem havido, tanto no Brasil quanto no mundo, aumento da incidência de osteoartrite pós-traumática e inflamatória do tornozelo, devido ao aumento da prática de esportes de impacto.

Como Identificar

Quando clinicamente evidente, a OA é caracterizada por dor articular, limitação de movimento, crepitação (estalos), derrame ocasional (inchaço) e vários graus de inflamação sem variáveis ​​sistêmicas. O tratamento conservador tradicional para o tornozelo OA inclui analgésicos simples, anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), injeções intra-articulares de corticosteróides, fisioterapia, atividade física e redução de peso.

Novas alternativas de tratamento cirúrgico têm sido desenvolvidas. No entanto, apesar da melhora nos resultados da artroplastia do tornozelo, a artrodese articular ainda é considerada o padrão ouro para o tratamento em casos de falha do tratamento conservador. A sobrecarga das articulações adjacentes e as consequentes sequelas, com deterioração da qualidade funcional do paciente após a artrodese tibiotársica, sustentam a busca de terapias alternativas.

O ácido hialurônico tem propriedades viscosas e elásticas. O grau em que cada recurso predomina depende das condições de carga. Isso permite que o fluido sinovial tenha a capacidade única de funcionar de maneira diferente, dependendo da quantidade de força de cisalhamento aplicada.

O que é o acido hialurônico?

O acido hialurônico é produzido naturalmente por células da membrana sinovial e, junto a outras moléculas, compõe o “líquido sinovial “, responsável pela lubrificação e nutrição do tecido cartilaginoso. A criação do acido hialurônico exógeno (sintético) para a infiltração articular começou nos anos 90. Inicialmente, acreditava-se que seu efeito seria puramente por mecanismo hidráulico. Ou seja, aumentando a superfície de contato cartilaginosa e assim reduzindo se a pressão articular.

Quais seus efeitos na articulação?

Os bons resultados iniciais encorajaram a comunidade científica a estudar melhor o efeito biológico dos produtos, e pesquisas publicadas em revistas científicas médicas nos últimos cinco anos mostraram efeito surpreendentes quem incluem:

– Redução da ativação de células inflamatórias responsáveis pelo desencadeamento da cascata inflamatória que causa destruição articular da artrose.

Quem deve ser submetido à visco-suplementação?

A indicação da visco-suplementação varia de paciente para paciente, e a composição do produto, pelo grau da lesão cartilaginosa. É importante que além dos exames de imagem, seja feito um teste biomecânico direcionado ao esporte para avaliar a função muscular afetada pela doença pré-existente.

A visco-suplementação nunca deve ser instituída como terapia única, e sim sempre associada a uma boa reabilitação, seguida de fortalecimento e reequilíbrio muscular. Após a aplicação nos meus pacientes, sempre explico que a aplicação não isenta de ser realizado a reabilitação tradicional e fortalecimento muscular, mesmo muitos achando que a melhora da dor já é suficiente para retornar as atividades.

Várias técnicas podem ser empregadas para aumentar a precisão da infiltração, como ultrassonografia (US), fluoroscopia e tomografia computadorizada (TC). No entanto, a relação entre maior eficácia do procedimento de infiltração e melhores desfechos clínicos requer estudos adicionais, e na minha opinião, depende também da experiência de quem aplica. Nos artigos selecionados para este estudo, observamos que todos os autores optaram pela abordagem anterior e dois deles utilizaram a fluoroscopia.

Não encontramos evidências na literatura de que a fluoroscopia forneça benefícios aos pacientes submetidos à visco-suplementação no tornozelo. Esta questão é pessoal e sua aplicação, ao meu ver, depende da segurança de cada um que está aplicando.

É importantíssimo que o médico explique muito bem os efeitos desejados da aplicação, possíveis efeitos colaterais e que o paciente tenha sempre em mãos o nome do produto utilizado na infiltração no tornozelo. Sendo assim, o tratamento articular é uma modalidade terapêutica segura, que promove uma melhora significativa dos escores funcionais dos pacientes, sem evidência de superioridade em relação a outras medidas conservadoras de tratamento, entrando assim como tratamento adjuvante na melhora clínica e prevenção da evolução da artrose.

Fonte: http://www.anapaulasimoes.com.br

Crossfit: beneficios e lesões

É fato de que o Crossfit é uma modalidade esportiva que veio para ficar!

Muitos benefícios!

Os beneficios do crossfit incluem ganho de força, pertencia, resistência e equilibrados musculares e poucos são os esportes onde o praticante tenha tantos ganhos.
O crescimento dos boxes por todo o pais trouxa a imagem de pessoas subindo cordas, empurrando pneus e, aos olhos do publico leigo, veio o PRÉ-conceito de pessoas “loucas”realizando uma atividade física perigosa e que machuca muito!

Sim! Ainda há um mito que o crossfit é um esporte perigoso por muitos fatores como a intensidade do treinamento o conjunto de exercícios interligados ao mesmo treino e principalmente a força. Mas, na verdade, os primeiros estudos publicados no Brasil e no mundo mostram justamente o oposto!
Tanto o crossfit, como qualquer outra atividade que tenha alta intensidade e frequência podem causar os mesmos ou mais problemas em seus praticantes, mesmo com um bom acompanhamento medico.
Esportes como o futebol,levantamento de peso, corrida e musculação possuem alto índice de lesões, bem acima do crossfit .

Pesquisas Recentes

Um estudo publicado nos EUA trouxe à tona a “taxa de incidência de lesões ligadas ao treinamento do crossfit foi baixa e comparável a outras formas de atividades de condicionamento físico”.
Outros estudo teve resultados muito parecidas com a anterior, relatando que as “taxas de lesões com o treinamento crossfit são semelhantes às relatadas na literatura para esportes como levantamento de peso olímpico, levantamento de força e ginástica.

Um terceiro estudo também americano encontrou 2,3 lesões por 1.000 horas de treinamento. Os autores investigaram mais de perto os praticantes de crossfit, para entender por que as lesões acontecem. Concluíram que os atletas com maior massa corporal tinham mais tendência a sofrer lesões e que o índice de lesões eram diretamente proporcionais ao acumulo de horas semanais de treino, certamente por estar ligado a um “recovery”insuficiente.

Como as lesões no crossfit acontecem?

Assim como em outros esportes,a principal forma as lesões no crossfit ocorram é pelo aumento agressivo no volume e freqüência de treino. Isso pode ocorrer em um novo ciclo de agachamento por exemplo mais intenso ao habitualmente praticado no intuito “simples” complementar o treino.
Muitos atletas relatam dores no tornozelo e panturrilha normalmente quando estão buscando aprender novas habilidades, como double-under, (salto duplo de corda, permite que a corda passe sob seus pés duas vezes enquanto você ainda está no ar) realizado todos os dias no aquecimento.

crossfit beneficios e lesoes

 

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Recuperar sempre!

O volume recuperável máximo (VMR) é um termo utilizado no mundo do crossfit, que significa o máximo de volume que se pode realizar de treinamento e se recuperar integralmente para as próximas sessões alcançando todos os benefícios.
Esse volume recuperável máximo nem sempre é bem sucedida, atrapalhando o ganho de massa muscular, força e conquista de habilidades.

Periodizar Sempre

Em algumas academias os treinos são programados em até 6 dias por semana, contemplando condicionamento físico e força ao mesmo tempo, essa programação muitas vezes excede o que recomenda o CrossFit HQ.
Podemos citar alguns pontos que, muitas vezes são a maior causa de lesões no crossfit, sendo:
• Erros de técnica
• Falta de força e resistência muscular
• Desequilíbrios musculares
• Restrições de mobilidade

Como posso te ajudar?

Assim como para qualquer modalidade esportiva, em uma consulta médica no Crossfit, avaliamos alguns fatores de risco, como os cardiovasculares (principalmente em pessoas que ficaram muito tempo sedentárias) articulares e metabólicos.
Após o inicio da atividade, acompanhamos a fase de adaptabilidade e, posteriormente os ganhos fisiológicos da atividade física.

Particularmente para esta modalidade esportiva, costumo acompanhar mês a mês (em alguns casos, semanalmente), observando parâmetros de ganho fisiológico e indicadores de over-trainning, principalmente nos iniciantes, assegurando alto rendimento e baixo índices de lesões.

lesões no crossfit

Veja minha entrevista sobre o Crossfit

 

Mais sobre o autor

 

Referencias bibliograficas

Chachula LA, Cameron KL, Svoboda SJ. Association of Prior Injury With the Report of New Injuries Sustained During CrossFit Training. Athletic Training and Sports Health Care. 2016 Jan/Feb;8(1):28-34.

Chatterjee T, Siddiqui Z, Winston T, Ferguson M, Zumwalt M. Acute Achilles Tendon Rupture From Cross Fit Training. Journal of Bone Reports & Recommendations. 2015; 1(1):1-4.

Friedman MV, Stensby JD, Hillen TJ, Demertzis JL, Keener JD. Traumatic Tear of the Latissimus Dorsi Myotendinous Junction: Case Report of a CrossFit-Related Injury. Sports Health. 2015 Nov-Dec;7(6):548-52.

Hak PT, Hodzovic E, Hickey B. The nature and prevalence of injury during CrossFit training. J Strength Cond Res. 2013 Nov 22. [In Press]

Lu A, Shen P, Lee P, Dahlin B, Waldau B, Nidecker AE, Nundkumar A, Bobinski M. CrossFit-related cervical internal carotid artery dissection. Emerg Radiol. 2015 Aug;22(4):449-52.