Desgaste no Joelho Durante a Corrida

Correr faz um bem enorme a nossa saúde: ajuda a emagrecer e ganhar condicionamento físico. Mas, por outro lado, o impacto de cada passada durante uma corrida impõe aos joelhos uma sobrecarga que chega a cinco vezes o peso do corpo do praticante.

Com o tempo, se não houver o preparo adequado da musculatura dos membros inferiores, o joelho passa a sofrer um processo de desgaste, levando ao desgaste da cartilagem e lesões meniscais, que estão relacionadas a esse desgaste. (Leia mais.)

As lesões meniscais causam sintomas característicos como dor bem localizada com períodos de alivio e agravo a determinados movimentos como agachar e cruzar as pernas, inchaço, e bloqueio (travamento).

O que é a cartilagem

Já a cartilagem é o tecido que reveste as articulações do corpo humano. Ela pode sofrer traumas que são causados por lesões como torção, contusão direta, distensões, ruptura de ligamentos ou um desgaste com o passar dos anos, que caracteriza a artrose.

Esse desgaste da cartilagem pode ir ocorrendo com o tempo, devido a uma série de fatores que podem ser desde a realização de atividades de alto impacto como atletismo, saltos, corrida, vôlei, futebol, basquete, ou ainda pela degeneração natural causada pela idade ou pelo excesso de peso.

No joelho, o desgaste da cartilagem vai provocar dor e incomodo toda vez que a articulação foi requerida como durante o movimento que fazemos para ficar nos levantar ou sentar, caminhar, correr, subir e descer escadas.

Procure o médico

A primeira coisa a fazer ao sofrer uma lesão no joelho ou sentir os sintomas do desgaste na cartilagem é procurar o ortopedista. Após um exame clínico, dos sintomas e de realização de exames de imagem, o médico poderá determinar qual o tratamento é mais indicado para o problema.

Se a lesão não for tão grave, sessões de fisioterapia e fortalecimento muscular podem ser o suficiente para resolver o problema, mas se o tratamento não funcionar pode ser necessária a realização de cirurgia.

A técnica cirúrgica vai ser definida pelo ortopedista levando em consideração a gravidade da lesão. Depois da cirurgia, o paciente também terá que passar por um processo de recuperação que inclui a realização de sessões de fisioterapia, que visa tanto a recuperação da funcionalidade dos joelhos como o seu fortalecimento e também com o tempo o fortalecimento muscular. Os músculos das pernas, fortalecidos, aliás ajudam e muito a prevenir o acometimento por lesões nos joelhos.

Avaliação Cardiológica Pré-Participação do Atleta

DR.RICARDO CONTESINI FRANCISCO

A atividade física regular apresenta efeitos benéficos sobre quase todas as estruturas biológicas e funções do corpo humano, incluindo o sistema cardiovascular, com reduções na incidência de infarto e mortes. Mesmo quantidades moderadas de atividade física regular (15 minutos por dia) estão associadas com efeitos preventivos importantes para uma grande variedade de doenças, como: obesidade, diabetes, câncer, depressão e doenças cardiovasculares.

Durante décadas foram questionadas as causas de morte súbita em atletas saudáveis e competitivos. Hoje sabemos que a maioria dessas mortes ocorrem devido alterações cardíacas adquiridas ou congênitas sendo os sintomas muitas vezes frustros ou ausentes. Dessa forma a avaliação cardiológica previa se torna imprescindível para a pratica segura de atividade física.
Essa avaliação deve ser realizada periodicamente, no mínimo anualmente, através de uma avaliação médica que deva constar a consulta com profissional especializado em esportes, o exame físico e no mínimo um eletrocardiograma. O teste de esforço também se torna essencial nos indivíduos que realizam atividade competitiva e também naqueles que desejam conhecer a sua frequência cardíaca ideal de treinamento.

De acordo com estudos europeus, o ECG, possibilita a detecção de aproximadamente 60% das patologias cardíacas que podem levar a morte súbita em atletas ativos.

Portanto, todos os indivíduos que pretendem iniciar , ou aqueles que pretendem intensificar treinamento, devem realizar exames cardiológicos e ortopédicos para conhecer suas possíveis limitações assim como receber orientações como melhorar seu desempenho e realizar seus exercícios com segurança.

Síndrome do Túnel do Carpo: o que é e como tratar

A Síndrome do Túnel do Carpo é uma das doenças compressivas do membro superior. Ela afeta o nervo mediano e sua causa consiste em um aumento da pressão dentro do túnel do carpo, sendo esta por aumento de volume das estruturas dentro dele ou pela redução do tamanho do túnel. Este túnel fica restrito por uma base óssea e recoberto por um forte ligamento, o Ligamento Transverso do Carpo.

Movimentos e esforços repetitivos de preensão e pinça podem causar edema nos tendões e sinóvia no punho, causando a doença.

Alterações hormonais durante a gravidez e menopausa, no hipotireoidismo e diabetes também podem predispor à doença pela retenção líquida e alterações microvasculares. Também está associado ao tabagismo, vasculopatias e doenças reumatológicas.

Sintomas:

Dor, dormência e formigamento no polegar, indicador, médio e na metade do anelar. Choques, dores no antebraço e braço também podem estar associados. É muito comum despertar à noite com dor que ao melhorar com movimento inicia formigamento. A perda de força no polegar e fraqueza para segurar objetos também é um sintoma comum. Os sintomas podem afetar as duas mãos.

Diagnóstico:

O diagnóstico é feito através de avaliação médica especializada, com uma boa história clínica e um exame físico minucioso. A Ultrassonografia pode ser usada para avaliar a espessura e as estruturas dentro do túnel do carpo e um estudo da condução nervosa (eletroneuromiografia) auxilia na avaliação do grau de comprometimento do nervo mediano.

Tratamento:

Em casos inicias e leves, pode-se iniciar o tratamento não cirúrgico, que consiste no uso de talas/órteses (principalmente noturno), auxilio medicamentoso, fisioterapia e infiltrações. Casos mais graves com comprometimento motor e na falha do tratamento não cirúrgico, o tratamento indicado é a liberação cirúrgica do túnel do carpo, que pode ser aberta (via clássica – veja o vídeo demonstrativo) ou endoscópica (veja 0 vídeo demonstrativo). A anestesia é geralmente local com uma sedação para o relaxamento do paciente. Geralmente não é necessária a internação hospitalar, tendo alta no mesmo dia da cirurgia. A taxa de sucesso para as duas técnicas passa de 95%. Casos crônicos e com comprometimento grave do nervo podem não apresentar recuperação completa. Você deve procurar atendimento de um cirurgião de mão para discutir as opções de tratamento. A recuperação após a cirurgia varia de acordo com o método e com a cicatrização do paciente. E a mão pode apresentar uma sensibilidade aumentada e inchaço na região da cirurgia por até 6 meses. Os sintomas podem recorrer nos casos de pessoas que trabalham com atividades repetitivas intensas.

Dr. Gustavo Campanholi

Cirurgia da Mão e Microcirurgia

CRM/SP 134.174

Fraturas de estresse – saiba o que é

Caracterizada por lesões ósseas que podem variar desde edemas, passando por pequenas fissuras, até uma fratura completa, causada pelo esforço repetitivo ou força, gerados pelo excesso de uso ou exercícios de impacto, as fraturas por estresse representam cerca de 10% das fraturas esportivas.

Esse tipo de fratura é muito comum nos ossos que sustentam o nosso peso como os das pernas e pés, sendo mais recorrentes nos metatarsos. Atletas, que praticam corridas, militares que realizam marcha, além de praticantes de atletismo e balé são os mais atingidos por esse tipo de problema.

No entanto, a fratura por estresse pode atingir qualquer pessoa, durante a prática de exercícios mal executada ou ainda quem sofre processo de enfraquecimento dos ossos, como é o caso da osteoporose.

A fratura de estresse ocorre quando há uma redução do amortecimento do impacto por conta da fraqueza muscular ou pela falha na absorção do mesmo, gerando um impacto e o aumento do estresse em pontos focais, gerando fraturas microscópicas.

Para evitar ter que interromper o treino por causa de uma fratura por stress, você deve ter atenção total na frequência do programa de exercícios, no aquecimento pré-treino e na gradação do aumento da carga.

Sintomas: Entre os principais sintomas deste tipo de fratura estão inchaço e dor na área afetada que tendem piorar com o tempo.

Diagnóstico: O diagnóstico da fratura por estresse é feito em consulta com o ortopedista, especializado em medicina esportiva e pode incluir a realização de exames de imagem.

Tratamento: O tratamento para a fratura por estresse é conservador e depende muito do grau da lesão, mas geralmente incluem a imobilização da área afeta com uso de sapato ortopédico no caso dos pés, cinta ou muletas para reduzir a carga no osso.

Além disso, quando a fratura é de baixo risco é permitida a realização de atividades na água e exercícios de fortalecimento e alongamento.
Nas fraturas mais graves, o tratamento acaba sendo mais rigoroso, incluindo repouso absoluto e imobilização até a recuperação do osso. Caso não haja uma boa evolução, pode ser necessária a realização de uma cirurgia para corrigir o problema.

Orientações para Prescrição de Exercícios

Dr. Ricardo Contesini Francisco

CRM-SP106367

Especialista em Cardiologia pela SBC/AMB

Pós Graduado em Medicina Esportiva pelo CEMAFE/UNIFESP

Médico da Seção de Cardiologia do Esporte do IDPC

Médico da Clínica Integrada de Medicina do Esporte e Exercício do HCor

Leia a matéria clique no link: Frequencia-cardiaca-perda-peso

Introdução

Desde a Grécia antiga já se conhece os benefícios da atividade física, no entanto, sempre houve um questionamento sobre intensidade, duração e regularidade de exercício que deva ser realizado para ter impacto na qualidade de vida e mortalidade da população. [1] Atualmente o sedentarismo se caracteriza como um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular com risco equivalente a tabagismo, hipertensão e colesterol alto inclusive contribuindo para o aumento da mortalidade.[2]

Nas recomendações atuais acredita-se que qualquer quantidade de atividade física é melhor que o sedentarismo. A partir de 15 minutos da prática de exercícios diários já existem evidencias de diminuição no risco de morte. [3] Dessa forma, a prática regular e contínua de atividade física reduz a chance de mortalidade por todas as causas, entre elas: infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, diabete, e vários tipos de câncer.

As atuais diretrizes consideram que a orientação de atividade física para a população tem seu melhor benefício quando se eleva a intensidade para moderada a intensa. Apesar de uma atividade física leve já apresentar benefícios, a elevação do desempenho diminui o risco cardiovascular e melhora a qualidade de vida. [2,3]

 No entanto, quando se extrapola para uma atividade física severa as evidencias de benefícios diminuem e o aparecimento de lesões musculares e potenciais malefícios cardiovasculares aparecem. [4]

Orientações

O profissional de saúde deve prescrever a prática de atividade física de acordo com alguns critérios básicos recomendados:

  1. Tipo de exercício
  2. Intensidade
  3. Frequência
  4. Duração

Tipo de exercício

Durante muitos anos os profissionais de saúde orientaram apenas a prática de atividade aeróbica como ideal para saúde. Esse conceito mudou ao longo tempo e a prescrição de atividade resistida é essencial para qualquer tipo de indivíduo.

A atividade física resistida (ex: musculação) propicia um melhor tônus muscular e possibilita ao músculo um melhor desempenho na prática aeróbica. Além disso, em indivíduos diabéticos tipo 2 foi demonstrado que a prática de exercícios resistidos melhora a expressão de GLUT4 (receptor de glicose na membrana celular) e diminui os níveis de glicemia de uma maneira mais intensa.[5]

Já na hipertensão arterial, o exercício resistido era contra indicado devido ao receio de aumento dos níveis da pressão arterial; no entanto, atualmente consideramos que a intensidade da prática resistida é que determina o beneficio ou não em indivíduos hipertensos. [2]

Portanto em indivíduos sem contra indicações para a prática de atividade física, o ideal seria orientar uma proporção de 2×1 entre aeróbico e resistido respectivamente. Em indivíduos diabéticos tipo 02 a proporção dever ser igualitária.

Intensidade

Podemos classificar a intensidade de atividade física aeróbica em quatro estágios: leve, moderada, intensa e severa. Existem vários métodos de se quantificar a intensidade do exercício, desde: VO2, MET, escala subjetiva de esforço (Borg) e frequência cardíaca (FC). Nesse texto consideraremos a FC como base para a prescrição de exercício devido à facilidade de aferição através de frequencímetros ou até mesmo pela aferição manual.

Deve-se ter em mente que independente da modalidade esportiva aeróbica que se realiza (caminhada, corrida, bicicleta, natação, etc.) a FC indica a intensidade física realizada durante o esforço, portanto, o importante é determinar a faixa de FC ideal para o treinamento, e esse irá sofrer mudanças em longo prazo conforme a melhora do condicionamento físico do indivíduo.

  • Leve – 50 a 60% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão
  • Moderada – 60 a 70% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão
  • Intensa – 70 a 80% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão em mulheres

   70 a 85% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão em homens

  • Severa – >80% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão em mulheres

   >85% da FC máxima atingida no teste ergométrico até a exaustão em homens

O cálculo da FC máxima é individual e deverá ser adquirida no momento da exaustão durante o teste ergométrico. Por exemplo, o indivíduo solicita interromper o teste ergométrico, pois atingiu a exaustão, naquele momento, a FC era de 200 bpm e apresentava uma FC de repouso de 60bpm. Consideraremos 200 bpm como a FC máxima da exaustão e iremos prescrever o treinamento de acordo com a fórmula de Karvonen [6]:

No caso de atividade física de moderada a intensa para mulheres:

FC treinamento= (FC máx – FC repouso) x % da intensidade + FC de repouso

FC treinamento(t) = (200 – 60) x 0,60 + 60; FC t = 144.

FC treinamento= (200 – 60) x 0,80 + 60; FC t = 172.

Portanto, como citado anteriormente, o ideal seria prescrevermos a atividade física com intensidade no mínimo moderada e no máximo intensa; sendo assim a FC ideal de treinamento para essa mulher seria de 144 a 172 bpm. No caso de se ultrapassar essa FC o indivíduo estaria realizando uma atividade física severa.

Nessa faixa de intensidade, os benefícios cardiovasculares são duvidosos e há o risco de maior utilização de proteínas como substrato energético ao invés de gorduras ou carboidratos caracterizando a “perda de massa magra”.

Na atividade física de intensidade leve, o principal substrato energético a ser utilizado é a gordura que fornece muita energia; então seriam necessárias muitas horas de exercício para se consumir uma pequena quantidade de gordura. Já na atividade física de intensidade moderada a intensa, o principal substrato energético é o carboidrato. O estoque de carboidrato circulante no sangue e estocado nos músculos acaba dentro de 15 a 30 minutos durante o exercício e então o corpo inicia a queima de gordura para fornecimento de energia. [2]

Portanto consideramos a prescrição de intensidade de exercício aeróbico entre moderada a intensa como ideal para benefícios cardiovasculares e perda de peso.

Em relação à intensidade de exercício físico resistido devemos orientar o individuo a trabalhar todos os grupos musculares ao menos 01 x na semana de forma contínua ou intermitente. Para determinar a intensidade do treino devemos determinar a forca voluntaria máxima (FVM) de cada individuo. A FVM é definida como a maior quantidade de carga que pode ser realizada em um único ciclo. Por exemplo, o individuo inicia um exercício de supino com uma carga de 30 kg; realiza dois movimentos consecutivos, portanto essa não é a forca voluntária máxima! Posteriormente aumentamos a carga para 50 kg, e o indivíduo realiza apenas 01 movimento e no segundo não consegue terminar o ciclo. Dessa forma foi determinada a FVM em 50kgs para aquele músculo em específico. [2,3]

Dessa forma deveremos prescrever o exercício resistido, para fins de condicionamento físico e benefício cardiovascular, com 50 a 60% da FVM com séries mais longas de 14 a 20 repetições.

Frequência

Grandes estudos comprovaram os benefícios da atividade física quando realizados em intensidade moderada por no mínimo 30 minutos em 5 dias na semana ou de forma intensa por pelo menos 20 min em 3 vezes na semana. No entanto, podemos incentivar os indivíduos a uma rotina na prática de atividade física diária. [2]

O grande benefício da prática de exercícios se dá pela ativação do sistema nervoso autonômico parassimpático; ele que propicia após o exercício melhora na pressão arterial, diminuição da frequência cardíaca, vasodilatação arterial, etc. No entanto, esses benefícios só serão atingidos após 12 a 14 semanas de um programa contínuo de exercícios e ocorre uma perda dessa ativação após 48 h de inatividade. [3]

Dessa forma, consideramos o ideal a realização de exercícios físicos de 04 a 06 x na semana e com intervalos de no máximo 24 horas até a próxima sessão de treinos.

Duração

As atividades podem ser realizadas de forma contínua ou intermitentes devendo na sua somatória ter um mínimo de 30 minutos diários com um ideal de 50 a 90 minutos de exercício aeróbico. Do ponto de vista da atividade resistida à prescrição deve ser dividida em grupos musculares sendo trabalhados todos 01 x na semana. Essa duração pode ser realizada em apenas 01 treino semanal, no entanto o ideal seria dividi-las em 02 ou 03 treinos na semana. [2,3]

Conclusões

A orientação e prescrição de exercícios deve ser um ato realizado por profissionais da saúde e fazer parte de toda consulta ou avaliação. O incentivo para a prática de atividade traz benefícios não só cardiovasculares como musculares e emocionais. A prescrição deve ser objetiva respeitando as limitações musculares e doenças preexistentes.

A realização de novos exames cardiovasculares deve ser de forma periódica e individualizada (04, 06 ou 12 meses) para se determinar a nova condição atlética e possíveis mudanças nos valores da FC máxima além de possibilitar a detecção de possíveis doenças ainda latentes.

Bibliografia

  1. Wen CP1Wai JPTsai MK, et al. Minimum amount of physical activity for reduced mortality and extended life expectancy: a prospective cohort study. Lancet. 2011 Oct 1;378(9798):1244-53
  2. Ghorayeb N., Costa R.V.C., Castro I., Daher D.J., Oliveira Filho J.A., Oliveira M.A.B. et al. Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1Supl.2):1-41
  3. Haskell WL, Lee I-M, Pate RP, Powell KE, Blair SN, Franklin BA, Macera CA, Heath GW, Thompson PD, Bauman A. Physical activity and public health: updated recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation. 2007;116:1081–1093.
  4. Arem H1Moore SC1Patel A2, et al. Leisure time physical activity and mortality: a detailed pooled analysis of the dose-response relationship. JAMA Intern Med. 2015 Jun;175(6):959-67. doi: 10.1001/jamainternmed.2015.0533.
  5. Holten MK1Zacho M, et al.  Strength training increases insulin-mediated glucose

uptake, GLUT4 content, and insulin signaling in skeletal muscle in patients with type 2 diabetes. Diabetes. 2004 Feb;53(2):294-305.

  1. SRA Camarda, AS Tebexreni, et al. Comparação da freqüência cardíaca máxima medida com as fórmulas de predição propostas por Karvonen e Tanaka. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC, v. 91, n. 5, p. 311-314, 2008.

Dores na Canela podem ser Síndrome da Tensão Tibial. Você sabe o que é?

A canelite é comum nos corredores, principalmente nos iniciantes que praticam o esporte de forma errada e exageram no ritmo dos treinamentos.

Popularmente conhecida como canelite, a síndrome da tensão tibial medial (STTM) é comum nas pessoas que praticam a corrida, principalmente nos iniciantes que ainda não se adaptaram às atividades ou que exageram no ritmo dos treinamentos.
A STTM é definida como dor e desconforto na perna, causada pela corrida praticada de forma repetitiva numa superfície dura ou por uso excessivo dos flexores do pé. É a inflamação do principal osso da canela, a tíbia, que leva a dor na região póstero – medial da perna dos dois terços distais da tíbia (veja a área rosada da figura). Condição também conhecida como síndrome do sóleo.

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Marcelo Annunciação, de São Paulo, sabe bem o que é a canelite. O rapaz, de 23 anos, começou a correr em 2006, mas não treinava, só participava de competições. Quando resolveu levar o esporte mais a sério e intensificar a prática, passou a sentir esse incômodo na perna. Parou de fazer a atividade e voltou em agosto desse ano. Não deu outra! Sentiu as dores novamente.
– O ortopedista pediu ressonância, parei de treinar e ele mandou passar gelo e ficar quatro semanas sem correr, mas não adiantou. Indo à academia, começou a melhorar. Agora, vou procurar um ortopedista especializado em corrida – disse Marcelo.

De acordo com a ortopedista Ana Paula Simões, especialista em medicina de pé e tornozelo e assistente do Grupo de Traumatologia do Esporte da Santa Casa de São Paulo, a dor é contínua e progressiva.
– A dor é aliviada com repouso e piora com a atividade física. Pode haver dor com a elevação dos dedos do pé ou pela flexão plantar resistida e, com isso, acaba resultando na queda do desempenho ou na limitação do atleta – informou Ana Paula.

Causas da canelite
* Alterações biomecânicas;
* Aumentos súbitos na intensidade do treinamento e duração;
* Alterações no calçado e superfície de treinamento;
* Lesões de partes moles;
* Falta de alongamento;
* Anormalidades na inserção muscular.

Etiologia e biomecânica
Na fase média da passada, o pé prona, ou seja, vira-se para dentro, para absorver o choque e para se adaptar ao terreno. Nos casos de pisada pronada excessiva, quando a parte de fora do calcanhar toca no chão e o pé inicia a rotação para dentro e só depois volta ao normal, ou de maior velocidade de pronação, a biomecânica da marcha ou da corrida é alterada, gerando um estiramento do músculo sóleo medial.

alongarTratamento
Após a realização de alguns exames complementares, dá para constatar o nível da lesão. Na ressonância magnética, pode ser evidenciado um edema periosteal, indicando a periostite de tração. A cintilografia óssea pode mostrar lesões longas longitudinais chegando a um terço do comprimento do osso.

– É muito comum. Trato, em média, cinco casos por semana. O mais dificil é o paciente aceitar que ele tem que parar de fazer o impacto ou o treino que gerou a lesão. Nos casos leves, só a diminuição da intensidade e duração do treino já ajuda, mas não é o que ocorre com a maioria, que muitas vezes tem que parar. Muitos não sabem tratar a doença direito. Depois que as dores passam, faço as correções posturais, de pisada e
equilíbrio muscular, essa é a chave do tratamento.
A maioria das síndromes é de tratamento conservador. Faz-se necessário repouso relativo de dois a quatro meses, mantendo o condicionamento físico com atividades sem impacto e indolores como bicicleta e natação.
– Medidas gerais devem ser tomadas. Gelo pode ser usado e também recomendo fisioterapia analgésica e alongamento do aquiles. Em alguns casos, é necessária a utilização de palmilha para correção da pronação – orientou a ortopedista.
O retorno às pistas deve ser gradual, não se esquecendo do alongamento e condicionamento progressivos. A indicação cirúrgica só ocorre após dois períodos de repouso e do retorno às atividades com a repetição dos sintomas.

A Lesão Labral do Quadril

Muito se avançou nestes últimos anos não só no diagnóstico mas também no tratamento deste tipo de lesão. Fica claro então por que se ouve falar cada vez mais e mais sobre o tema. Esportistas de renome tiveram suas carreiras interrompidas devido ao fracasso no seu tratamento.

Mas porque ocorre uma lesão nesta estrutura do quadril ?
Antes de tentarmos entender a lesão precisamos entender um pouco a respeito da articulação do quadril. Trata-se de uma articulação do tipo esferóide ou seja, que pode se movimentar em todos os planos, o que confere a ela uma característica peculiar relacionada a sua estabilidade.

Algumas estruturas são responsáveis por essa estabilidade dentre elas o labrum acetabular ou simplesmente lábio do acetábulo. É uma estrutura composta de fibrocartilagem que envolve a articulação quase que na sua totalidade (figura 1) e além de aumentar a estabilidade , promove o que nós chamamos de propriocepção ou seja , informa ao cérebro qual a posição que a articulação se encontra no espaço sem que precisemos olhar para ela.

Figura 1 – Lábio acetabular

Figura 1 – Lábio acetabular

O lábio acetabular é uma estrutura altamente inervada e pouco vascularizada o que leva a um quadro de dor se houver qualquer lesão em seu conteúdo sendo muito difícil a sua cicatrizarão. Normalmente a lesão ocorre devido a uma condição de agressão a longo prazo do labrum e está relacionada a alguns pacientes portadores de uma anatomia específica de seus quadris. A prática desportiva sem dúvida pode também aumentar a

possibilidade de uma lesão labral e os esportes mais relacionados são aqueles que envolvem movimentos de rotação do quadril ou que necessitam de mudanças bruscas de direção. Podemos citar então: esportes de contato como artes marciais , hockey no gelo, futebol, rugby entre outros.Esportes que necessitam de uma rotação vigorosa do quadril como o golfe , tennis , esgrima e dança( ballet).

Os sinais e sintomas normalmente sentidos por aqueles que apresentam uma lesão labral são variados e podem começar durante a prática desportiva ou não. A dor é o principal , geralmente na parte anterior do quadril ou na região inguinal (figura 2), e aparece de forma progressiva. Ressaltos , “cliques” ou bloqueios da articulação também podem ser sentidos porem são menos freqüentes.
Para fazer o diagnóstico o médico deve realizar um exame físico detalhado com algumas manobras específicas que podem alertar par
a patologia, porem um exame de imagem (Artro- Ressonância Magnética) é fundamental para se estudar o tipo de lesão e programar o tratamento.

Figura 2

Figura 2

Uma vez diagnosticada uma lesão no labrum acetabular deve ser iniciado o tratamento que consiste na fase inicial em um programa de analgesia. A fisioterapia deve ser iniciada nesta fase visando o fortalecimento da musclatura e uma melhora da propriocepção. As atividades físicas devem ser diminuídas e os movimentos que causam dor evitados.

Na falha do tratamento conservador pode estar indicado um procedimento cirúrgico chamado artroscopia que consiste na introdução de uma pequena câmera na articulação do quadril seguida de instrumentos maleáveis que podem retirar a parte lesada do lábio acetabular ou repará-lo através de uma sutura ou reinserção dependendo do tipo de lesão apresentada. Durante a artroscopia , a articulação do quadril pode ser completamente examinada a procura de outras lesões que podem estar associadas à lesão labral , como defeitos na cartilagem da articulação , no ligamento da cabeça femoral ou ainda corpos livres soltos. Pode-se ainda realizar a correção do defeito ósseo anatômico que eventualmente está presente e pode ser a causa da lesão.

 

lesao-labra-quadril-003FuguraApós a cirurgia , o paciente deve ficar durante algum tempo utilizando-se de muletas variando de acordo com o procedimento realizado. Imediatamente deve tambem ser iniciada a reabilitação, baseada em protocolo específico que pode variar de cirurgião para cirurgião. O retorno às atividades normais e ao esporte depende de cada caso , porem está diminuindo graças as novas técnicas empregadas.

Mas a lesão labral pode ser evitada?
Essa é a grande pergunta feita nos dias de hoje e a resposta ainda esta longe de der obtida , porem o fortalecimento de todos o grupos musculares da região, o aumento da propriocepção da articulação , a descoberta da possível causa da lesão ou do gesto esportivo causador, parecem ser a melhor forma de evitá-la .

Seu diagnóstico precoce ainda é hoje a melhor forma de se proteger de um problema maior no quadril.

Referencias : Czerny C, Hofmann S, Neuhold A, et al. Lesions of the acetabular labrum: accuracy of MR
imaging and MR arthrography in detectionand staging. Radiology 1996; 200:225–230.
Harris, W.W.: Etiology of osteoarthritis of the hip. Clin Orthop: 20-33, 1986.
Ikeda, T., Awaya, G., Suzuki, S. et al: Torn acetabular labrum in young patients. Arthroscopic diagnosis and management. J Bone Joint Surg
[Br] 70: 13-16, 1988.
Lage, L.A., Patel, J.V. & Villar, R.N.: The acetabular labral tear: an arthroscopic classification. Arthroscopy 12: 269-272, 1996.
Villar, R., Edwards, D. & Lomas, D.: Comparison of MRI and hip arthroscopy
in diagnosis of disorders of the hip joint. J Bone Joint Surg [Br] 7: 52, 1994 (Suppl I).
2007 ANNUAL MEETING
INSTRUCTIONAL COURSE LECTURE HANDOUT
Course Number: 406 Course Title: Hip Arthroscopy: Advanced Surgical Techniques

Epicondilite – Luxação Lateral do Cotovelo

A luxação do cotovelo pode ocorrer em vários movimentos dentro das lutas de contato. Os mais comuns são as chaves, principalmente o “arm-lock”. Nessa chave ocorre a hiperextensão do cotovelo com lesão dos músculos pronador redondo e braquial, ainda ocorre a lesão do ligamento colateral medial e da cápsula ligamentar anterior. Nessa lesão o paciente não consegue movimentar o cotovelo e apresenta grande dor, inchaço e deformidade que podem dar a aparência de fratura. O atleta deve ter seu cotovelo imobilizado e procurar auxílio médico de modo urgente. No hospital o atleta deverá ser submetido a radiografias que evidenciarão a luxação. O médico então deverá realizar uma manobra para que cotovelo recomponha suas formas originais.
Cotovelo não deve ser tratado por profissionais não médicos devido à possibilidade de lesão vascular, neurológica e fraturas, inclusive durante a manobra de redução. Após a redução, se não houver outras lesões, o atleta deverá ficar imobilizado com tala gessada por cerca de 3 semanas
após esse período em geral há uma cicatrização que impede a reluxação, mas a recuperação depende de características próprias de cada organismo. Muitas pessoas podem ficar com uma instabilidade em valgo residual que a longo prazo pode causar dor e formigamento no 40 e 50 dedos da mão devido ao estresse do nervo ulnar como coseqüência da lesão do ligamento colateral medial do cotovelo. Em geral as manifestações tardias são leves e não requerem intervenção cirúrgica. Mesmo com a grande extensão de lesão o atleta consegue em cerca de um mês retornar às suas atividades. Raras vezes é necessário cirurgia para a redução da luxação. Os atletas podem ter luxação do cotovelo com as chaves americana, americana invertida e em quedas e o tratamento segue os mesmos princípios acima, apenas as áreas lesadas são diferentes. A americana pode lesar o ligamento colateral medial e o tríceps, a americana invertida lesa o ligamento colateral lateral e pode fraturar o processo coronóide do cotovelo e finalmente na queda ocorre luxação pelo mecanismo póstero-lateral-rotatório pela movimentação em valgo, supinação e compressão axial com o cotovelo semi-extendido lesando a banda ulnar do ligamento colateral lateral
ligamento colateral ulnar lateral ), cápsula e finalmente ligamento colateral medial como descreve O’Driscoll e cols. Todas essas lesões dificilmente deixarão seqüelas desde que tratadas com urgência e acompanhadas por um profissional da área habilitado, falaremos de cada tipo específico de instabilidade em outros artigos.

EPICONDILITE LATERAL DO COTOVELO

Para que possamos compreender melhor este problema, tão comum no cotovelo, e tão freqüente na população, é preciso que se entendam alguns conceitos, bem simples.
O sufixo “ite”, na medicina, significa inflamação. Assim, a inflamação das amígdalas, por exemplo,é chamada da amigdalite. Da mesma forma, epicondilite diz respeito à inflamação do um osso no cotovelo chamado epicôndilo. O cotovelo tem dois epicôndilos, que são proeminências ósseas de onde nascem os músculos que vão dar movimento ao antebraço e à mão – um lateral, ou do lado de fora da articulação,e outro medial, ou do lado de dentro.

E ISSO É MUITO COMUM ?

Sim, é um dos problemas mais freqüentes do cotovelo. Acomete principalmente adultos de meia-idade e, apesar de ser muito comum em trabalhadores braçais submetidos a esforços repetitivos do membro superior e em atletas que praticam principalmente esportes de raquete, pode aparecer mesmo em indivíduos sedentários.

E PORQUE ELA APARECE ?

A epicondilite é um assunto muito estudado entre os especialistas da área, visto sua freqüência. Apesar de ser classicamente, na literatura ortopédica, descrita como um processo inflamatório que acomete os músculos que se inserem no epicôndilo lateral, estudos mais recentes tem demonstrado que há, na verdade, um fenômeno de degeneração das fibras musculares, acompanhado de muita dor. Todavia, a relação da epicondilite com a meia idade e com a atividade intensa com os braços é bem conhecida.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO PACIENTE ?

A queixa principal do paciente é sempre a dor, no lado lateral do cotovelo, que pode ou não ser irradiada para a região proximal e dorsal do antebraço. Tem caráter insidioso, ou seja, vai piorando lenta e progressivamente, mas em alguns casos pode aparecer já desde o início com dores intensas. Nos atletas de raquete, a dor no início aparece durante determinados movimentos do jogo ou do treino, principalmente nos golpes de esquerda ( backhand), e é muito difícil que nesta fase ele procure acompanhamento médico especializado. O próprio atleta utiliza-se de métodos de analgesia, como o uso de gelo no local da dor após as partidas. Com o avanço do problema, o processo se torna crônico e o atleta se vê obrigado a procurar ajuda médica, e isso ocorre geralmente 3 meses após o 1º episódio. O pacinete pode se queixar ao segurar algum objeto com o membro superior extendido, geralmente.O médico geralmente encontrará, ao exame físico, dor à palpação do epicôndilo lateral no cotovelo, e extensão ativa dolorosa do punho.

COMO DEVE SER O TRATAMENTO ?

O tratamento da epicondilite lateral geralmente é conservador, sendo cirúrgico apenas se não houver remissão (total ou parcial progressiva) com o tratamento medicamentoso e fisioterápico em um período de pelo menos 3 meses, mas que pode se estender por mais tempo. O tratamento conservador pode ser dividido em dois tipos: médico e fisioterapêutico. O tratamento médico sempre deve ser considerado em todas as fases do tratamento. Para se aliviar a dor do paciente, é indicado inicialmente o uso de antiinflamatórios não hormonais. Se o paciente é atleta, devemos sempre questioná-lo com relação ao equipamento utilizado para a prática do esporte. Devemos sempre questionar qual o tipo de raquete que ele usa, a tensão que é colocada nas cordas (no caso do tênis), e principalmente, movimentos na rotina diária de treinos. Outras formas de tratamento foram descritos, como o uso da acupuntura, a manipulação da região cervical e do membro superior e infiltração de corticóides. O uso dos chamados braces ( tiras de velcro, que envolvem o antebraço. logo abaixo do cotovelo ) pode ser útil em uma fase inicial de tratamento, principalmente nos atletas que jogam e treinam com muita frequência, embora alguns estudos relatem a ineficiência do
brace para tratamento por longo período e por não auxiliar na melhora da força. Além do tratamento médico, o tratamento fisioterapêutico deve ser intituído já na fase inicial do atendimento.

E EXISTE CIRURUGIA PARA A EPICONDILITE ?

Sim. A indicação da cirurgia começa a ser considerada se o paciente não tem melhora com pelo menos 3 meses de tratamento. Todavia, este tempo pode ser muito maior, e na prática indicamos a cirurgia somente após termos investido ( médico e paciente ) exaustivamente na recuperação, e não tendo sido obtida melhora significativa. Classicamente, e até muito pouco tempo atrás, a cirurgia era feita da forma convencional, com uma incisão (corte) de +/- 4 cm, quando era feita a limpeza de todo o tecido degenerado em cima do epicôndilo. Todavia, atualmente a cirurgia pode ser feita por vídeo ( artroscopia) – através de duas incisões mínimas ( 4 mm ), coloca-se uma câmera de vídeo dentro da articulação e limpa-se o tecido degenerado, de dentro para fora. Com esta cirurgia, além da melhora importante em relação à estética, a recuperação é menos dolorosa e mais tranqüila.

EXISTE ALGUM MODO DE PREVENIRMOS O PROBLEMA ?

A melhor forma de se prevenir a epicondilite lateral, principalmente em atletas amadores, é a mudança da técnica dos fundamentos do esporte – principalmente o golpe de esquerda (backhand), que envolve a contração excêntrica dos extensores do punho, pois é nesses atletas que o problema tem maior incidência. Um outro fator importante na prevenção da epicondilite lateral está no uso da raquete ideal, devendo esta ser mais maleável e com uma cabeça maior. A tensão da corda usada na raquete (no caso do tênis) não deve ser maior do que 60 libras, pois quanto maior a tensão usada na raquete, maior será a vibração transferida para o cotovelo, provocando microfissuras no tendão do extensor radial curto do carpo ( músculo mais envolvido ), causando a epicondilite lateral. Outro detalhe importante para todos os esportes de raquete está na empunhadura (grip), pois existem tamanhos diferentes, e o atleta deve escolher o tamanho mais confortável para seu uso. O brace (imobilizador) pode ser utilizado como um acessório preventivo da epicondilite lateral, mas devemos lembrar que, se o atleta não tiver uma técnica correta dos fundamentos, o imobilizador pode mascarar os sinais e sintomas agravando a lesão.

Joelho: Lesão do ligamento cruzado anterior

O Joelho é uma articulação de exigências extremas na prática esportiva e deve associar dois paradoxos: ser estável o suficiente para suportar peso e ter liberdade de movimento absoluta para poder transmitir a energia cinética do movimento. Por este motivo, é uma articulação extremamente sucetível ao trauma e, até mesmo movimentos aparentemente inofensívos podem lesar suas estruturas e comprometer a performance do esportista.
As taxas de incidência de lesões ao joelho vêm crescendo anualmente. Isto se deve, provavavelmente à maior participação nos esportes de todos as faixas etárias. Nos EUA, estima-se que hajam, anualmente, 90.000 lesões agudas do ligamento cruzado anterior.

Exemplo clássico do entorse do joelho durante partida de futebol. O pé do jogador está preso ao do adversário e o joelho flexionado está sendo submetido a uma rotação interna forçada da tíbia sobre o fêmur.

Exemplo clássico do entorse do joelho durante partida de futebol. O pé do jogador está preso ao do adversário e o joelho flexionado está sendo submetido a uma rotação interna forçada da tíbia sobre o fêmur.

O entorse é, disparadamente o movimento que mais lesa estruturas intrínsecas do joelho. No futebol, esporte muito popular no Brasil, o trauma ocorre com o pé fixo ao solo, ou preso à perna do adversário, ocorrendo rotação anormal interna ou externa do fêmur em relação à tíbia. Os ligamentos e meniscos, neste momento, submetidos as estresses tênseis acima do suportado, desencadeam um arco reflexo medular com contratura dos músculos anterior (quadríceps)e posterior (isquiotibiais) da coxa, na tentativa de proteger a articulação. Quando a energia do trauma é superior a este mecanismo de defesa, há deformação e ruptura das estrutas envolvidas. O resultado são as distenções musculares, estiramentos e rupturas ligamentares e meniscais. Entorses com o indivíduo agachado e que rotaciona o joelho de maneira anormal também podem lesar e, estatisticamente, estão mais ligados a lesões dos meniscos. Ocorre, por exemplo, quando um escalador move o joelho de maneira anormal e súbita para subir uma rocha.
Outros mecanismo de lesão é a desaceleração súbita, classicamente, quando o indivíduo chuta o ar ao invés da bola,ou o adversário, no caso de lutas. Esta é a forma mais comum de lesão isolada ao ligamento cruzado anterior.
Via de regra, havendo lesão, há dor e contratura muscular e, muitas vezes, ela é maior em rupturas parciais de ligamentos, pois há maior ativação de receptores de dor presente dentro das estruturas envolvidas. Quando há inchaço instantâneo, há em 80 a 90% dos casos, ruptura do ligamento cruzado anterior, associada ou não a lesão de outras estruturas e, este se deve ao sangramento dentro da articulação, denominado, na linguagem médica de hematose.

a seta mostra o ligamento cruzado anterior do joelho visto de frente

A seta mostra o ligamento cruzado anterior do joelho visto de frente

Um pouco de anatomia
Mas, afinal, o que vêm a ser o ligamento cruzado anterior, meniscos, cartilagem?
Para que servem?
Observando-se um esquema anatômico simples do joelho, nota-se uma estrutura que parte detrás de uma proeminencia ossea do fêmur, chamada de condilo femoral e se insere na parte anterior da tibia, entre as fixações dos meniscos. É o ligamento cruzado anterior, estrutura responsável por “segurar” a tíbia e evitar o movimento de translação dela sob o fêmur e por emitir informações sensoriais ao centro do movimento ao cérebro para que a pessoa tenha a sensação do movimento e tenha melhor coordenação motora. A isto se chama propriocepção.
Então,o ligamento cruzado anterior, além de simples estabilizador mecânico também é responsável pela coordenação motora? Sim, e o restabelecimento da mesma é muito importante no tratamento de suas lesões.A cartilagem é o “revestimento” em torno da extremidade do osso. Serve para a distrubuição mais uniforme do peso e tem altíssima capacidade de deformação. É, portaneto, estrutura de suma importância na dissipação de energia.
Os meniscos são uma especie de “amortecedores”, localizados entre o fêmur e a tíbia e são divididos em 3 partes (cornos): anterior, médio e posterior. São também responsáveis por estabilizar o joelho, aumentam a congruência entre seus ossos, absorvem o impacto e também auxiliam na propriocepção.

o planalto da tíbia visto de cima e os meniscos em formato de "c".

O planalto da tíbia visto de cima e os meniscos em formato de “c”.

Quando um joelho sofreu lesão ao ligamento cruzado anterior podendo ela ter sido total (ruptura) ou parcial (alongamento), denominamos em linguagem médica de “joelho LCA-deficiente”, ou seja, será uma articulação que experimentará instabilidade pela ausência ou insuficiência do ligamento cruzado anterior e passará por alterações do equilíbrio neuro-motor (proprioceptivas) na tentativa de restabelecer o equilíbrio neuro-muscular comprometido na lesão. Em outras palavras: tanto o joelho, como outras articulações adjacentes terão que funcionar de maneira diferente a níveis pré-lesionais a fim de se evitar sintomas. Por isso, é comum encontrar pessoas que alteraram o seu padrão de marcha e, mesmo após uma cirurgia de reconstrução de ligamento cruzado anterior, continuam mancando, ou pisando de maneira errônea, desencadeando outros sintomas, como dores nos pés, nos quadris e nas costas.
A principal queixa de quem possui um “joelho LCA-deficiente” é o falseio, ou sensação de que o “joelho saiu e voltou ao lugar”, que pode ocorrer tanto em atividades da vida diária, como descer escadas, subir em um ônibus, correr e trotar, quanto em atividades esportivas recreativas ou profissionais. A dor, quando presente, está ligada a lesão de outros ligamentos, como por exemplo o ligamento colateral medial, meniscos e lesões na cartilagem articular, discutidos em outro tópico.
Estudos recentes de biomecânica indicam que esta sensação de falseio se dá em até 30 graus de flexão do joelho, justamente a angulação usada no momento do drible e da mudança brusca de direção em esportes como o futebol, vôlei e tenis. Um “joelho LCA-deficiente” é, portanto, incompatível para estes tipos de atividades.
Mas, uma vez que haja insuficiência do ligamento cruzado anterior, qual a chance de se desenvolver o falseio no joelho?
Noyes, um respeitado autor norte-americano desenvolveu a regra dos terços: Após a lesão ao ligamento cruzado anterior, 1/3 das pessoas terão instabilidade imediata, 1/3 terão de maneira tardia e somente 1/3 não desenvolverá instabilidade.
joelho-lesao-ligamento-cruzado-anterior-004De uma maneira geral, desenvolvendo-se ou não falseio, o “joelho LCA-deficiente” terá progressivamente melhoria do inchaço, e apresentará invariavelmente algum grau de atrofia da musculatura da coxa. Isto se deve, tanto ao desuso, quanto à perda do arco reflexo muscular do ligamento cruzado anterior, também chamado de reflexo de Leriche. Esta atrofia, que é muito variável entre os indivíduos será o grande desafio durante a reabilitação e o que, muitas vezes faz com que a recuperação e o retorno ao esporte seja mais lento que o programado após uma cirurgia de reconstrução de ligamento cruzado anterior.

Pelo fato do LCA nao cicatrizar, é de comum acordo entre a maioria dos autores no mundo de que tanto uma lesão total, quanto parcial, em pacientes ativos e que tenham queixas de falseio, que o individuo deve ser submetido a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior para que possa restabelecer a estabilidade e função.

Unha Encravada do Atleta – Como Dói…

O que é?
Onicocriptose, ou unha encravada, é uma condição dolorosa em que a pele do lado da unha cresce ao longo da borda da unha , ou quando parte da unha cresce na pele.

Quais são os sinais e sintomas?
Dor na área lateral da unha, geralmente no dedão do pé ( hálux ). A unha pode aparecer de forma irregular e menor do que o normal, como se estivesse partida ou como se parte(s) dela estivesse enterrada sob a pele nas bordas e / ou ponta do dedo.
Dor e sensibilidade na área pode começar como uma pequena irritação e progredir para o ponto onde usar certos sapatos torna-se desconfortável ou mesmo intolerável.
Em alguns casos, o dedo do pé pode apresentar edema excessivo , tem uma vermelhidão a ao redor da área , ou sentir quente ao toque. Neste caso, pode estar infeccionado e a área precisa de atenção médica profissional.

Atletas:
Se você é um corredor, pode achar que a dor de uma unha encravada proíbe você de desfrutar sua corrida e treino. Em muitos casos, meias apertadas ou sapatos com biqueira e caixas anteriores estreitas podem agravar o desconforto. Unhas encravadas podem ocorrer em qualquer idade e sexo.

Unhas encravadas podem não ser uma doença grave, mas são irritantes, dolorosas e problemáticas. Se você é um atleta ou uma pessoa cujo eposrte envolve ficar em pé, andando ou correndo, o problema pode marginalizar você por um tempo, se não for dado o tratamento adequado e rápido.

O que provoca ?
A causa mais comum de unhas encravadas é cortar as unhas dos pés de forma incorreta , de modo que elas crescem em um ângulo agudo contra a pele . Ao longo do tempo, a unha vai perfurá-la, fazendo com que a dor esteja sempre associada com a condição.
Certos tipos de pé ou tipos de pisada pode ter uma tendência maior a encravar a unha, em alguns casos o problema é a unha que é demasiadamente grande para o dedo do pé . Em outros casos , os pacientes tem deformidades nos dedos como na artrite por exemplo. Finalmente, trauma no dedo do pé pode dirigir pedaços de unha na pele e “treinar” a crescer dessa maneira.

Em qualquer caso, o problema pode piorar sem tratamento . O ambiente da maioria dos sapatos (com pouca ventilação ou desconfortáveis) acrescenta bactérias para o meio ambiente. Adicione esses microorganismos para um dedo do pé já ferido, em uma área escura quente e úmida onde o ar não circula , e você tem uma receita de livro para a infecção!

Como tratar?
IMPORTANTE: Se você tem diabetes, você deve consultar o seu médico ao primeiro sinal de problemas com seus pés ou dedos dos pés, não importa quão pequeno você pode pensar que eles são. As seguintes precauções e medidas podem ser recomendados por seu médico:

Em muitos casos em que a infecção não estiver presente, o paciente pode primeiro limpar o pé cuidadosamente com água e sabão, em seguida, mergulhe-o em um banho de água salgada quente, isso ajuda a fazer um contraste e aliviar as dores.

Seca-se o pé cuidadosamente e aplica um anti-séptico suave para a zona. Enfaixe o dedo cuidadosamente (e não muito apertado) Este passo deve ser repetido pelo menos três vezes por dia. Existem vários remédios que ajudarão endurecer a pele e reduzir o tecido mole ao longo da borda da unha de modo que ela cresça normalmente . Há também ataduras comerciais especiais que irão amortecer a área e manter a unha evitando ser conduzida ao crescimento para dentro.

Se não responder a esse tratamento, ou se está suspeitando de infecção, é essencial que você confirmar suas suspeitas através da consulta com um médico. Outras condições têm sintomas semelhantes, e um profissional pode dizer a diferença. Uma vez que o diagnóstico é obtido, é essencial para iniciar o tratamento imediatamente .

Em alguns casos, o médico pode cortar ou remover a unha infectada com um pequeno procedimento cirúrgico no consultório no qual uma porção da unha encravada ou crescimento excessivo da pele é removida, e a área de tratamento para a infecção. Em muitos casos, o problema irá responder facilmente a este tratamento, e o paciente não terá uma recorrência.

Alguns pacientes, no entanto, que apresentam dores crônicas ou unhas deformadas encravadas a longo tempo faz –se necessário procedimento cirúrgico , onde o médico vai reformar a unha de modo a que seja mais estreito e menor probabilidade de crescer na pele-cantoplastia.

Como prevenir?
A melhor maneira de evitar uma unha encravada é o método mais simples de todos : manter suas unhas aparadas em linha reta . Regularmente usando cortadores projetados especificamente para esse fim. Não corte os lados das unhas. Se você ver o início de uma unha encravada , cortar em frente e siga as medidas conservadoras acima. Nunca puxe a unha , ao longo do tempo , ela cria um caminho Além disso, fazer todo o possível para proteger seus pés de traumas, e usar sapatos com espaço suficiente no antepé.

Examine seus pés regularmente. Observe qualquer vermelhidão, inchaço ou descoloração. Flexione os dedos dos pés e verificar se há alguma dor ao caminhar, correr ou até mesmo em pé . Se houver alguma , fazer uma verificação rápida de seus dedos do pé, com especial atenção para a aparência das unhas e da pele ao seu redor. E bons treinos!