A tendinopatia patelar é uma condição bastante comum, especialmente entre pessoas fisicamente ativas, mas que também pode afetar indivíduos fora do contexto esportivo. Caracteriza-se por dor localizada na região anterior do joelho, geralmente abaixo da patela, que tende a surgir ou se intensificar durante atividades que exigem força, impacto ou desaceleração do membro inferior. No dia a dia, muitos pacientes descrevem dificuldade para subir e descer escadas, levantar de uma cadeira ou realizar agachamentos.
Apesar de ser amplamente conhecida como “joelho do saltador”, essa associação limitada pode levar a interpretações equivocadas sobre sua origem. Na prática, a tendinopatia patelar não está restrita a atletas de salto, nem é resultado exclusivo de esforço excessivo pontual. Trata-se de um processo multifatorial, que envolve alterações mecânicas, sobrecarga progressiva e adaptação inadequada do tecido tendíneo ao longo do tempo.
O que é a tendinopatia patelar
A tendinopatia patelar é uma alteração no tendão patelar, estrutura responsável por conectar a patela à tíbia e transmitir a força gerada pelo músculo quadríceps para o movimento do joelho. Esse tendão é constantemente exigido em ações como correr, saltar, frear e mudar de direção, o que o torna especialmente suscetível a microlesões quando submetido a cargas repetitivas.
Diferentemente do que se acreditava no passado, a tendinopatia patelar nem sempre está associada a um processo inflamatório clássico. Em muitos casos, o que ocorre é uma degeneração progressiva das fibras do tendão, com desorganização estrutural e redução da capacidade de suportar carga. Por isso, o termo “tendinite” vem sendo substituído por “tendinopatia”, que descreve melhor esse conjunto de alterações.
Esse processo degenerativo costuma se instalar de forma gradual. A dor pode surgir inicialmente apenas após atividades mais intensas e, com o tempo, passar a ocorrer durante o exercício ou até mesmo em repouso. Quando não identificada e tratada adequadamente, a tendinopatia patelar pode evoluir para quadros persistentes, com impacto significativo na função e na qualidade de vida.
Por que a dor se manifesta no tendão patelar
O tendão patelar atua como uma estrutura de transmissão de força, absorvendo e liberando energia a cada movimento do joelho. Quando a demanda mecânica ultrapassa a capacidade de adaptação do tecido, surgem microdanos que, sem tempo adequado de recuperação, se acumulam ao longo do tempo. Esse desequilíbrio entre carga e recuperação é um dos principais gatilhos da tendinopatia patelar.
No cotidiano, esse cenário é comum em pessoas que aumentam abruptamente a intensidade ou o volume de atividades físicas, retornam ao exercício após longos períodos de inatividade ou mantêm rotinas repetitivas sem variação de estímulo. No entanto, mesmo fora do esporte, movimentos frequentes de flexão e extensão do joelho associados a padrões inadequados de movimento podem gerar sobrecarga suficiente para desencadear o problema.
Além disso, o tendão patelar responde de forma mais lenta às adaptações do que o músculo. Ou seja, mesmo quando a musculatura parece forte o suficiente, o tendão pode ainda não estar preparado para suportar determinadas cargas, criando um cenário propício para lesões por sobreuso.
Fatores biomecânicos envolvidos
Alterações biomecânicas desempenham um papel central no desenvolvimento da tendinopatia patelar. Desvios no alinhamento do membro inferior, como aumento do valgo dinâmico do joelho, rotação excessiva do quadril ou limitações na mobilidade do tornozelo, modificam a forma como a carga é distribuída durante o movimento.
Essas compensações fazem com que o tendão patelar seja exigido de maneira assimétrica ou excessiva, mesmo em atividades consideradas simples. Com o tempo, essa sobrecarga repetitiva compromete a integridade do tecido e favorece o aparecimento da dor. Muitas vezes, o paciente não percebe essas alterações, pois elas fazem parte de um padrão de movimento automatizado.
Nesse sentido, tratar apenas o local da dor sem avaliar o movimento como um todo costuma gerar resultados limitados. A tendinopatia patelar raramente é um problema isolado do joelho; ela reflete uma disfunção mais ampla na forma como o corpo absorve e distribui forças durante o movimento.
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A relação entre carga, recuperação e tendão
Um dos aspectos mais importantes para entender por que a tendinopatia patelar acontece é a relação entre carga aplicada e tempo de recuperação. O tendão precisa de estímulo mecânico para se manter saudável, mas esse estímulo deve ser progressivo e acompanhado de períodos adequados de descanso.
Quando a carga é excessiva ou mal distribuída, e a recuperação é insuficiente, o tecido não consegue se reorganizar de forma eficiente. Em vez de se fortalecer, o tendão entra em um processo de degeneração, com perda de elasticidade e aumento da sensibilidade à dor. Esse quadro pode se perpetuar mesmo quando a pessoa reduz temporariamente a atividade, justamente porque o tendão já perdeu parte da sua capacidade funcional.
Por outro lado, a ausência total de carga também não é benéfica. A falta de estímulo adequado enfraquece ainda mais o tecido, criando um ciclo de dor, medo do movimento e piora funcional. Por isso, o manejo correto da carga é um dos pilares no tratamento da tendinopatia patelar.
Por que o problema se torna crônico
A cronificação da tendinopatia patelar geralmente está relacionada ao atraso no diagnóstico e à condução inadequada do tratamento. Muitas pessoas continuam treinando ou mantendo atividades dolorosas acreditando que a dor “vai passar”, enquanto outras recorrem apenas a repouso prolongado ou ao uso frequente de analgésicos.
Essas estratégias, embora possam aliviar temporariamente os sintomas, não resolvem a causa do problema. Sem correção dos padrões de movimento, ajuste da carga e fortalecimento progressivo do tendão, a dor tende a retornar assim que a atividade é retomada. Com o tempo, o tecido se torna mais sensível e menos tolerante ao esforço.
Além disso, fatores como estresse, privação de sono e hábitos de vida desregulados também influenciam negativamente a capacidade de recuperação do organismo. No dia a dia, esses elementos passam despercebidos, mas exercem impacto direto na saúde dos tecidos musculoesqueléticos.
Principais fatores associados à tendinopatia patelar
Antes de listar os principais fatores envolvidos, é importante reforçar que a tendinopatia patelar raramente surge por um único motivo isolado. Na maioria dos casos, ela é resultado da interação entre sobrecarga mecânica, alterações biomecânicas e falhas no processo de adaptação do tendão às exigências do movimento.
- Sobrecarga repetitiva sem progressão adequada
- Aumento abrupto de intensidade ou volume de treino
- Alterações biomecânicas do membro inferior
- Déficits de mobilidade e controle do movimento
- Recuperação insuficiente entre estímulos de carga
Compreender o que é a tendinopatia patelar e por que ela acontece é essencial para quebrar o ciclo de dor e limitação funcional. No Instituto Reaction, a abordagem vai além do alívio imediato dos sintomas. A avaliação do movimento, o controle progressivo da carga e a reeducação funcional são fundamentais para restaurar a capacidade do tendão, reduzir o risco de recorrência e permitir um retorno seguro às atividades.
Se a dor no joelho já faz parte da sua rotina, buscar uma avaliação especializada pode ser o passo decisivo para retomar o movimento com mais confiança e eficiência.



